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Recentemente postamos na fan page da Sonorità no Facebook um vídeo do programa Estrelas, da rede Globo, em que a apresentadora Angélica acompanha Pedro, filho da atriz Juliana Paes, em uma aula de Musicalização Infantil. E para tirar as dúvidas dos pais sobre o tema, conversamos com a professora Silvana Kalff, responsável pelas aulas de Musicalização Infantil da Sonorità.
Silvana cursou Licenciatura em Música pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Trabalha com Musicalização Infantil desde 2003, como professora e orientadora em escolas de música e de educação infantil. Participou de diversos projetos de educação musical, tanto como professora de Musicalização quanto de violoncelo. Como violoncelista, teve aulas com Ernesto Guimarães Medolla, Maria Alice Brandão e Zygmunt Kubala.
Por que colocar a criança na Musicalização Infantil? Quais os benefícios que a aula de Musicalização proporciona?
Nascemos com um grande potencial musical. O ser humano nasce com seu cérebro ainda em formação. Por isso, ao longo de nossa infância é importante trabalhar o potencial musical para que ele seja fixado na memória e ampliado.
Ao mesmo tempo em que musicalizar objetiva trabalhar os elementos e a estrutura da música, possibilitando que a criança se aproprie da parte material da mesma, a música também insere essa criança em sua cultura, em seu meio social, e possibilita que ela entre em contato com outras culturas diferentes daquela em que está inserida. Mas se a música é primeiramente percebida pelos sentidos, pela afetividade, ela também trabalha o emocional e o sentimental, constituindo, assim, uma criança com uma percepção diferenciada de mundo.
Quando deixamos de apenas explorar os sons e começamos a organizá-los em formas compostas de som e silêncio, que acompanham um movimento (um ritmo), carregados de interpretações e expressões pelas dinâmicas (relações entre forte e fraco), texturas, andamentos (relações entre rápido e lento), timbres e todos os elementos sonoro-musicais, estamos nos expressando pela música. Estamos ligando o lógico ao afetivo, estamos criando, aprendendo sobre nós mesmos e o mundo que nos cerca.
Musicalizar vai além do trabalho de desenvolvimento da coordenação motora, do domínio da parte técnica, pois quando criamos música, quando fazemos música, temos a oportunidade de estar dentro de um espaço-tempo onde damos novas formas ao que já existe (combinações e expressões sonoras) e de mostrar através destas combinações nossa singularidade.
A partir de que idade a criança pode fazer aula de Musicalização?
A música está presente na vida da criança antes mesmo de ela nascer, podendo a criança já ter uma exposição musical mais direcionada a partir do nascimento. Mas devido ao período pós-parto, amamentação e outros fatores, é aconselhável iniciar as aulas com crianças a partir dos quatro meses de idade, acompanhadas da mãe ou do pai. O quanto antes a criança iniciar na Musicalização, melhor.
E a aula de instrumento, pode começar a partir de que idade?
Isso depende de cada instrumento e de cada criança. Cada instrumento exige um preparo físico/motor e uma percepção diferente para ser iniciado. A partir do momento que a criança demonstra interesse por um instrumento, se ela já tiver desenvolvido coordenação motora mínima para o início no mesmo, ela já pode iniciar neste instrumento. O interesse da criança pelo instrumento é fundamental, e uma das funções da Musicalização é deixar disponível para exploração e ampliar o contato das crianças com vários instrumentos, para que assim ela vá se identificando com cada um deles. Em casos de crianças com diagnóstico de “dificuldade motora”, mesmo ela ainda não tendo desenvolvido certas habilidades, o estudo de um instrumento pode vir a auxiliar no desenvolvimento dos movimentos, desde que haja interesse da criança.
Como é a dinâmica das aulas de Musicalização?
Através das canções acompanhadas por um instrumento harmônico e de brincadeiras e jogos musicais, vamos trabalhando os elementos da música, as habilidades físico-motoras, o contato com o mundo musical e a comunicação com o grupo. As crianças são convidadas a tocar, cantar, dançar, explorar os instrumentos musicais, apreciar músicas de vários estilos, se expressar musicalmente, compor músicas e ainda conhecer e ter contato com a escrita musical.
Nas turmas com vários alunos, como se lida com a diferença de idade das crianças?
Na verdade, buscamos organizar turmas com idades próximas. Dependendo do caso, turmas com maiores diferenças de idade também podem ser criadas. Mas independente da idade, cada criança é vista na sua particularidade. Posso ter duas crianças de quatro anos e uma ser bem comunicativa e participativa e a outra mais tímida e resistente para certas atividades. O que a Musicalização faz é criar um espaço-tempo para que todos possam apreciar e explorar a música à sua maneira, no seu ritmo. Através da observação da ação de cada criança, vamos criando caminhos para ampliar a percepção sonora/musical de cada uma delas de forma diferenciada, mesmo elas estando inseridas em um grupo.
Como os pais podem incentivar a criança a fazer Musicalização Infantil? E nas crianças que já fazem Musicalização, como os pais podem estimular a música em casa?
Os pais podem motivar as crianças mostrando interesse pela música e também se interessando pelas aulas de Musicalização, por exemplo. Eles são um exemplo para os filhos. Ver um pai tocando um instrumento, ouvindo uma música, já é um grande incentivo. Em algumas aulas, dependendo da idade da criança e da dinâmica da escola, os pais participam da aula. Mas independente disso, em casa os pais podem perguntar sobre a aula, cantar as músicas, criar um espaço pra apreciação musical — seja somente pelo áudio ou áudio e vídeo, ou através de livros. Enfim, tornar esse universo importante e especial.
Hoje à noite, no Teatro Álvaro de Carvalho, apresentam-se Pablo e Juan Rossi, ao lado de Alexander Grothe, no terceiro concerto da série Promenade.
O trio esteve ensaiando no sábado na Sonorità, e aproveitamos o momento para uma entrevista exclusiva com Pablo Rossi, que você confere abaixo.
Rossi é pianista, vencedor do I Concurso Nacional Nelson Freire para Novos Talentos Brasileiros (2003), o concurso Magda Tagliaferro (1998), Encuentro Internacional de Jóvenes Músicos (Córdoba, Argentina, 2001) e o Concurso Internacional “Ciutat de Carlet” (Carlet, Espanha, 2002). Atuou como solista frente à Orquestra de Câmara do Kremlin, Orquestra de Câmara de Moscou, Orquestra Sinfônica de Kirov, OSESP, OSB, OER, Orquestras Sinfônicas do Paraná, Santa Catarina, Ribeirão Preto, Sergipe e Salvador, entre outras. Em dois anos, fez mais de quarenta recitais na Europa, Estados Unidos, África e América Latina. Gravou seu primeiro CD aos 11 anos de idade, com obras de Chopin, Bartók, Schumann, Tchaikovsky, Rachmaninoff, Shostakovich e Nepomuceno. Em 2008, lançou o CD “Pablo Rossi Live at Steinway Hall”, com obras de Mozart, Villa-Lobos, Prokofiev e Chopin, gravado ao vivo em Londres. Atualmente, reside em Moscou, onde cursa a faculdade de piano no Conservatório Tchaikovsky, integrando a classe da renomada professora e concertista Elisso Virsaladze, agraciado com bolsa de estudos do Governo do Estado de Santa Catarina.
Concertos Promenade
Meu principal objetivo através destas apresentações com um formato diversificado é criar uma tradição musical de concertos mensais, ou seja, criar a “cultura” de programas musicais que estarão entretendo frequentemente o público. Hoje sabemos que a música clássica de maneira geral está sofrendo uma perda de público progressiva, e pensando em resgatar novamento esses espectadores (crianças, adolescentes, adultos e idosos), nossa ideologia é poder oferecer uma nova roupagem para esses eventos, de uma maneira dinâmica, utilizando recursos audiovisuais, e didática. Criando uma atmosfera informal e acessível aos ouvintes, estamos aos poucos formando uma plateia constante, cada vez mais presente nas apresentações e sedenta pelos futuros projetos!
Abordagem temática
Cada concerto mensal está inserido dentro de uma temática previamente estudada e formatada. Fizemos na abertura uma homenagem a Liszt e Mahler (bicentenário de nascimento e centenário de morte, respectivamente), e na nossa segunda edição dedicamos o concerto à música russa e seu folclore. Para o encerramento, em dezembro, faremos uma apresentação única, com a fusão da música e da pintura. No concerto de amanhã, o objetivo é homenagear Piazzolla. Sempre tive uma grande admiração pelas obras dele, e pude realizar meu plano de executá-las em um concerto formal. Além disso, o público acompanhará toda a trajetória de Piazzolla, desde seu rompimento com o tango tradicional, passando pelo seu período de imersão na música clássica (época em que estudou em Paris), até o surgimento do “novo tango”.
O estudo no exterior
Infelizmente, para se poder adquirir uma formação musical completa em todos os sentidos é indispensável a vivência adquirida nos grandes centros europeus da música. Lá, a tradição é outra. São outros os mecanismos de produção musical e também de valorização. Vivemos em uma atmosfera muito mais acolhedora em termos profissionais e artísticos, campo fértil para podermos desenvolver nossa visão musical e pessoal.
Concertos no Brasil
Em minhas viagens ao Brasil, faço questão de trazer um pouco dessa cultura musical ao nosso ambiente local. Hoje nosso país vive um momento de grande projeção internacional, com uma produção econômica cada vez mais ativa. Dessa maneira, acredito que seja obrigação de nossa sociedade buscar uma cultura elaborada, de qualidade e diversificação. Acredito que minha função como artista seja justamente transmitir um pouco de minha experiência e vivência adquirida nesses anos através de apresentações e eventos culturais.
Shostakovich, um artista sob o jugo comunista
A inclusão no programa de obras de Shostakovich, pode-se dizer, foi a união do útil ao agradável, já que Piazzolla teve muita influência dos compositores clássicos do começo do século XX, principalmente Ravel, Stravinsky e, por que não?, Shostakovich. Sou também profundo admirador dele e de sua trajetória musical. Gostaria de destacar o grande dilema que influenciou grande parte da produção musical dele: o preconceito e pressão exercidos pelo governo comunista da União Soviética. Como sabemos, grandes músicos e artistas que viveram durante o comunismo na Rússia muitas vezes emigraram clandestinamente para outros países além da cortina de ferro, e ali se estabeleceram definitivamente, deixando seu passado soviético para trás. Já Shostakovich viveu sua vida toda sob pressão do regime vermelho, sendo muitas vezes obrigado a sacrificar seus ideais musicais em prol de sua subsistência! Suas obras possuem, sem dúvida alguma, marca registrada de um Shostakovich idealista e batalhador pela integridade do artista. Nas obras a serem apresentadas no programa do concerto, o público escutará um Shostakovich mais leve, com humor pouco sarcástico e de extremo brilho.




